Domingo, Janeiro 29, 2006

Sobre o Título.

Mudanças, de qualquer tipo, sempre foram uma parte da minha vida que eu tive dificuldades em enfrentar. No fim das contas, nunca fez muita diferença se as mudanças ocorreram por minha escolha própria ou se, de uma forma ou de outra, foram impostas a mim.

Acho que o problema real é, na verdade, um medo intrínseco do desconhecido. Mudanças trazem consigo um batalhão de perguntas para as quais as respostas são completamente desconhecidas. E se tudo der errado? E se eu não conseguir me adaptar?

Isto posto, as grandes mudanças em minha vida sempre tenderam a ser boas para mim (não em 100% dos casos, mas a média é bem favorável). Eu só sou o que sou hoje devido ao fato de que, por mais que tenha medo das mesmas, nunca tenha deixado de arriscar assim mesmo.

Não se engane, foi pura sorte.

De qualquer forma, o título do blog surgiu exatamente do descrito acima. É uma adaptação de um trecho da música "The Boxer", de Paul Simon e Art Garfunkel, mas a inspiração original foi a frase, em francês, "Plus ça change, plus c'est la même chose". Quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam as mesmas.

Quinta-feira, Janeiro 26, 2006

O Aniversariante.

O texto abaixo não foi escrito por mim, mas por uma pessoa que está dentro do grupo das pessoas que mais admiro (embora minha opinião nesse caso seja suspeita): Meu pai, Pascoal Leite de Albuquerque.

Foi escrito para um jornal na região de Maringá, PR, em comemoração ao Natal de 2000. O texto possui uma profunda conotação política e religiosa e, devido a isso, algumas pessoas podem se ofender com o mesmo (considerem-se avisadas).

Espero que vocês, meus dois leitores, gostem tanto do texto quanto eu gostei. Notem que eu tive que massageá-lo pois, por algum motivo, o mesmo foi parcialmente corrompido quando enviado para mim e existiam muitos caracteres estranhos inclusos nele. Qualquer erro, em especial referente a pontuação, possivelmente decorreu disso.

O Aniversariante

É claro que gostávamos dele, era um homem pobre, humilde, ofendido e maltratado como nós.

Era também corajoso e humano, muito humano, talvez humano demais. Ficava com raiva, se comovia e chorava, mas o livro não registra o seu riso. Naquela época como hoje não havia motivos para rir.

Há dois mil anos que gostamos dele porque fomos nós, os pobres, que o inventamos. Não agüentávamos mais a tirania do Pai; do Pai aliado dos tiranos governantes; dono de uma religião contra a nossa independência; religião que nos mantinha de joelhos diante do algoz.

Não queríamos uma religião que só servia de consolo para as impostas privações. Não queríamos uma religião que nos fazia aceitar com naturalidade a nossa miséria. Não queríamos uma religião que aliviava a culpa dos poderosos.

Vivíamos num grande Nordeste chamado Judéia, famintos e desesperados, sob as patas dos cavalos do FMI do Império Romano.

Gostávamos dele porque era filho de uma bela adolescente virgem e de um honesto carpinteiro de mãos calosas como as nossas. Além disso, havia nascido numa manjedoura; contava fábulas lindas sobre uma vida melhor para todos nós. Havia amor e comunismo entre nós que dividíamos o pão, a lágrima, a esperança e o riso eventual.

Mas cedo os ricos e poderosos descobriram as vantagens da nossa religião. Prenderam nosso Deus simples e humano e o trancaram num palácio. Cobriram-no de jóias e o afastaram de nós. Fizeram dele um sócio-mercador. Quando alguém da nossa tribo ousava reclamar, o poder explicava: "Se ele que é Deus foi crucificado, por que tu, mísero mortal, não queres sofrer aqui na terra quando sabes de antemão que terás toda a felicidade no céu?"

Protegidos pelas armas, como falavam bem os nossos tiranos! E nós continuamos a agradecer aos senhores que por mais de dois mil anos nos obrigaram a conviver com a fome, o desemprego, a peste, a miséria, a brutalidade, a humilhação e o salário mínimo.

Dizem que um dia ele voltará. Por isso sonhamos com Baltazar, Melchior e Gaspar como eles eram naquela época, bem diversos do que são hoje e atendem pelos nomes de Lucro, Ganância e Poder. Deixaram de ser reis para se transformarem em assistentes de Papai-Noel.

E se esta bela história da Carochinha fosse verdade (como o é em nossos corações) senhores donos das pompas do mundo? Se no dia do Juízo Final, nós pobres, formos mesmos os primeiros? Haverá um inferno suficientemente quente para aqueles que há dois milênios nos maltratam?

É fácil reverenciá-lo agora que ele está morto e pode ser adorado sem riscos. Mas nós nos lembramos de como ele era antes; antes que o roubassem de nós.

Um dia nos revoltaremos ao lado dele ou sem ele e, se for preciso, até mesmo contra ele!

Hoje à noite, quando vocês estiverem abrindo presentes, bebendo champanhe como bons fiéis, pensem bem antes de mandar o porteiro expulsar aquele crioulo sujo, desdentado, cheirando a álcool, medo, humilhação e mijo. Pode ser o juiz supremo disfarçado, aquele por quem tanto esperamos e o qual vocês tanto temiam.

Pode ser o aniversariante.

Essa matéria é dedicada a minha esposa, Keila, aos meus filhos, Bruno, Manuela, Tatiana, Camila e Paula, e a todos os Médicos (como Ele, grandes ignorados), com o abraço de um velho guerreiro timbira.

Feliz Natal.

Quarta-feira, Janeiro 25, 2006

Guia Prático.

Existem três possíveis componentes em um encontro, dos quais ao menos dois devem ser oferecidos: entretenimento, comida e afeição. É prática iniciar uma série de encontros com bastante entretenimento, uma quantidade moderada de comida e apenas uma sugestão de afeição. Conforme a quantidade de afeição for aumentando, o entretenimento pode ser reduzido proporcionalmente. Quando a afeição *É* o entretenimento, não mais chamamos isso de encontro. Sob nenhuma circunstância a comida pode ser omitida.

Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

Recomeçar.

"Para se fazer uma torta de maçã a partir do zero, primeiro precisamos criar o universo".

-- Carl Sagan

Essa é a essência de todo recomeço, e é exatamente isso que torna esse processo tão complicado. Para se recomeçar precisamos deixar para trás uma série de coisas, boas e ruins, que guardamos. Abrir mão de coisas que consideramos, ao menos no momento, importantes. De momentos que preferíamos não ter que descartar. De tudo que poderia ter sido, mas não foi.

Agora, nesse exato momento, eu sou recomeço.

Domingo, Janeiro 22, 2006

Tempo.

O tempo é inexorável. É fácil se perceber que não existe absolutamente nada que possamos fazer para retardar sua passagem. Não que a passagem do tempo seja um problema, mas o fato de que cada segundo vivido é um segundo a menos de vida nos faz lembrar (e, em especial, me faz lembrar) que nosso tempo é limitado e que, exatamente por isso, devemos aprender o máximo que pudermos nesse intervalo.

Uma vida inteira não é tempo suficiente para se entender a mesma, mas é importante tentar mesmo assim.

Sexta-feira, Janeiro 20, 2006

Amizade.

Para muitos, amigos se resumem a pessoas que passam a mão em sua cabeça quando as coisas vão bem ou quando vão mal. Isso, nem de longe, é o papel de um amigo de verdade.

Um amigo de verdade está ali do seu lado, presente sempre que necessário, e disposto a judá-lo no que for preciso. Mas não sem um espírito crítico. Somos humanos. A grande verdade é que só somos considerados animais racionais porque fomos nós que criamos a definição. Sim, é verdade que somos capazes de racionalizar em cima dos problemas mas, em geral, não é o que fazemos. Ainda ouvimos o que queremos ouvir e descartamos o resto. Cometemos erros, temos falhas. Um amigo de verdade é aquele capaz de nos apoiar e, ainda assim, nos apontar as coisas que fizemos de errado pois o objetivo final é que nos tornemos pessoas melhores.

No que diz respeito a mim, sempre procurei adotar uma das máximas de Nietzsche: "Faz parte do meu respeito pelas pessoas, expor-me ao risco de lhes dizer a verdade". O grande problema é que nem sempre as pessoas estão dispostas a ouvir a verdade, mesmo que a mesma seja a diferença entre felicidade e tristeza.

Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

Devaneio.

No principio não havia nada. No fim, tampouco, haverá. Entre esses dois extremos tudo que existe não passa de um sonho. Um sonho de luz e trevas. Na verdade nós somos a luz e a forma dada a ela. Entre o principio e o fim, entre o nada e o nada, nós somos o sonho e o sonhador de tudo que existe.

Quarta-feira, Janeiro 18, 2006

Erros e Acertos.

Não creio em um destino pré-definido para cada pessoa. Aceitar todos os percalços que a vida nos impõe e atribuir isso a vontade de um ente ou de uma força superior me parece apenas uma tentativa de eximirmo-nos de responsabilidades sobre nossas ações e atitudes. Comodismo em sua forma mais pura.

A vida é, na verdade, o resultado da sequência de escolhas que fazemos, sejam elas boas ou ruins. Muitas vezes temos certeza de estarmos seguindo o caminho certo e fazendo o que devemos fazer, mas a grande verdade é que a certeza só vem em retrospecto. Alguma escolha que façamos hoje e que nos é claramente correta pode se provar como sendo errada com o passar do tempo.

Cometer erros não é um problema em si. O real problema é não conseguir aprender com os mesmos de forma a tentar evitá-los no futuro. O importante na vida não é saber as respostas pra tudo, mas conhecer as perguntas.

Pensar.

"Cogito me cogitare, ergo cogito me esse (Eu penso que penso, logo penso que existo)."

- Ambrose Bierce

Terça-feira, Janeiro 17, 2006

Reflexão.

Algumas coisas apenas são. Sem motivos ou razões específicas. Isso é algo importante que todos devemos ter em mente. Por mais improvável que possa parecer, aceitar isso é muito mais difícil do que se culpar por algo que você simplesmente não tem como controlar.

Uma nuvem não sabe por que ela se move em uma direção específica e numa velocidade específica. Ela sente um impulso... este é o lugar para se ir agora. Mas o céu sabe as razões e os padrões que governam todas as nuvens e nós iremos saber, também, quando nos elevarmos o suficiente para vermos além do horizonte.

Segunda-feira, Janeiro 16, 2006

Idiossincrasia.

Esse blog está ficando mais depressivo do que eu gostaria. De qualquer forma, é apenas um reflexo de como me sinto. Um retrato fiel, na verdade.

De toda a miríade de sentimentos pouco agradáveis que estão presentes hoje em mim, o que me parece ser mais significativo é uma sensação indelével de solidão. Essa sensação é ainda mais difícil de se lidar pelo simples fato de que eu não estou realmente sozinho. Meus amigos estão sempre presentes. Minha família, embora distante, sempre está lá de braços abertos para me receber. Passo o dia no trabalho com pessoas que já deixaram a algum tempo de ser colegas de trabalho e viraram amigos de verdade.

E, ainda assim, me sinto só.

Eu acho que isso é esperado (e justificável), quando um pedaço significativo de seu coração foi arrancado de forma brusca. Isso deixa marcas e algumas dessas marcas tendem a durar muito tempo. Ainda não aprendi como lutar contra tudo isso, mas eu vou tentar lutar mesmo assim. Devo isso a mim mesmo.

Nesse meio tempo, eu vou lembrando de todas as coisas boas e ruins que ocorreram nos últimos meses. Eventualmente, todas as coisas ruins vão se dissipar e tudo que vai restar será a saudade das coisas boas. Saudade como aquela que guardamos das mais valiosas lembranças. Como a que sentimos pelos entes queridos que se foram. Quando finalmente atingir esse ponto, imagino que eu consiga, finalmente, ficar em paz comigo mesmo.

Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

Eu.

Estou em uma fase de minha vida que pode ser classificada de conturbada. Não que seja a primeira vez que a mesma esteja assim, mas essa vez leva o prêmio por surrealismo, complexidade e, de quebra, intensidade.

Decisões foram tomadas, outras postergadas. Outras, ainda, foram cogitadas e completamente descartadas (admitidamente, nem sempre de forma racional ou correta).

Existe uma coisa, em especial, que me marcou bastante nesse processo todo. Um grande amigo meu fez o que todo grande amigo deveria fazer, e me ajudou a focar no porque de as coisas acontecerem comigo da forma como as mesmas aconteceram e o que eu deveria fazer para tentar evitar que isso seja recorrente.

Algumas pessoas me tachariam de ingênuo pois tenho uma fé perene no próximo. Assumo, por definição, que toda pessoa é confiável até prova em contrário. E a conclusão a qual chegamos vai contra isso. Vai contra quem eu sou.

O problema é que a convivência acaba por nos ensinar que as pessoas não são assim. Mentem para se preservar e usam de subterfúgios para garantir seus interesses.

Obviamente isso não reflete 100% de história (afinal, é uma generalização e, como tal, perigosa), mas parece ser a forma mais segura de encarar relacionamentos. Esperar o pior é sempre uma boa forma de valorizar o melhor quando o mesmo chega.

Fica a questão no ar: Querer que as coisas sejam da forma como eu gostaria que fossem é querer uma utopia. Mas será que a solução é simplesmente mudar minha forma de agir? Mesmo indo contra o que eu acredito?

Quinta-feira, Janeiro 12, 2006

Inocência.


Clique na imagem para vê-la em tamanho natural. Calvin é um dos meus personagens prediletos e muito do que é mostrado em suas histórias me parece refletir, com fidelidade, como a mente de uma criança funciona (ou, ainda, como a minha mente funciona. Embora tenha deixado de ser criança, no sentido estrito do termo, há um bom tempo atrás).

Justificativa.

Achei que nunca me renderia a "febre" dos blogs e, ainda assim, aqui estou eu. Este blog vai servir como uma espécie de "válvula de escape" no que diz respeito a mim e ao que eu penso. Muito do que estiver escrito aqui irá refletir, basicamente, as coisas como eu as vejo e, devido a isso, recomendo um certo espírito crítico a você que o estiver lendo.

Não espere encontrar aqui confissões profundas ou detalhes sórdidos de minha vida. Não é que eu não tenha confissões a fazer ou coisas sórdidas a relatar, mas eu tracei um limite no que diz respeito ao quanto de mim estou disposto a expor.

Eu sequer espero que muitas pessoas leiam esse blog e, então, o mesmo será escrito para mim mesmo (o que, geralmente, tenderá a tornar o conteúdo completamente irrelevante para o resto do mundo).

Enfim, muita coisa já aconteceu em minha vida (uma parte significante disso está ocorrendo nesse exato momento) e, com certeza, muitas coisas mais irão acontecer. Esse será o relato de tudo isso, sob a minha ótica.

"Ladies and gentlemen, the show is about to begin. Would you please fasten your seat belts and wait for the no smoking sign. Thank you."